O cargo que eles usam
No Banco Safra, o cargo que costuma aparecer nesses casos é o de gerente de empresa ou executivo de contas. É com ele que o banco tenta justificar a jornada de oito horas em vez de seis.
Só que o nome no crachá não decide nada. O que decide é se você tinha poder de verdade.
Sinais de que o cargo não era de confiança de verdade
- Você batia ponto como todo mundo
- Não tinha ninguém subordinado a você
- Precisava pedir autorização até para coisa pequena
- Não podia contratar, advertir nem demitir
- Era cobrado por meta igual aos colegas sem o cargo
- A gratificação era menor que um terço do salário
A tal da hora extra já combinada no contrato: Aparece no holerite e às vezes até na carteira: uma rubrica de hora extra com valor fixo, acertada logo na contratação. A conta nunca fecha, porque o valor combinado é sempre menor que a hora que você realmente fez. Quando isso cai, aquele valor deixa de ser hora extra e passa a contar como salário — o que aumenta a base de tudo que vem depois.
Trabalhou no Banco Safra?
Me conta qual era seu cargo, o horário que você fazia de verdade e há quanto tempo saiu. Com isso eu já sei por onde a conversa vai.
Contar meu casoAs verbas que somem nesse banco
O que costuma faltar no Banco Safra
- A diferença entre a hora extra combinada e a que você fez de verdade
- Sétima e oitava hora, e também o que passou da oitava
- Intervalo de almoço de trinta minutos, que é menor que o devido
- Remuneração variável sem reflexo em nada
- Diferenças da gratificação de função
O que o banco vai alegar
O Safra costuma dizer que a hora extra já estava paga no acerto feito na contratação e que o cargo era de confiança. O primeiro argumento cai na conta: basta comparar o valor fixo com o horário que você cumpria de verdade.
Saber disso de antemão muda o jeito de montar o caso: a prova se organiza para derrubar justamente esse argumento, e não para repetir o óbvio.
O que se costuma pedir
Pedidos típicos nesse tipo de caso
- Anular a hora extra combinada por valor fixo e integrar esse valor ao salário
- Sétima e oitava hora como extra
- As horas que passaram da oitava, além dessas
- Uma hora de almoço, e não trinta minutos
- Derrubar o cargo de confiança
Se o seu horário era das nove às sete e meia da noite com meia hora de intervalo, a conta de hora extra desse contrato costuma ser alta — e ela corre até cinco anos para trás.
Uma coisa que quase ninguém pede
Pergunta simples: você chegou a tirar trinta dias de férias seguidos alguma vez? Se a resposta for não, e o motivo era sempre o mesmo — não podia parar por causa da meta, era melhor vender parte, era melhor dividir em pedaços — então tem dinheiro parado aí.
Férias existem para descansar de verdade. Quando o banco empurra o parcelamento ou a venda para o funcionário não sair do ritmo, ele descumpre a regra, e a consequência é pagar essas férias em dobro.
O melhor dessa história é a prova: ela já está com você. É a ficha de anotações da sua carteira de trabalho, que mostra ano por ano como as férias foram tiradas. Num contrato longo, esse pedido sozinho costuma valer mais que muita gente imagina.
Sobre o prazo: dois anos depois de sair do banco para entrar com a ação, cobrindo os cinco anos anteriores. Cada mês dentro do prazo são duas horas extras por dia que entram na conta.
