O cargo que eles usam
No Santander, o cargo que costuma aparecer nesses casos é o de gerente de relacionamento, inclusive do Select. É com ele que o banco tenta justificar a jornada de oito horas em vez de seis.
Só que o nome no crachá não decide nada. O que decide é se você tinha poder de verdade.
Sinais de que o cargo não era de confiança de verdade
- Você batia ponto como todo mundo
- Não tinha ninguém subordinado a você
- Precisava pedir autorização até para coisa pequena
- Não podia contratar, advertir nem demitir
- Era cobrado por meta igual aos colegas sem o cargo
- A gratificação era menor que um terço do salário
A gratificação especial de quem saiu com dez anos de casa: O Santander paga um valor extra na saída para quem tem tempo longo de casa. Não existe regra escrita dizendo quem recebe, e é justamente aí que está a força: se o banco pagou para o colega na mesma situação e não pagou para você, ele vai ter que explicar por quê. Na prática, o critério que aparece é um só, e é objetivo: dez anos de banco. Quem tinha esse tempo e saiu sem receber tem o que discutir.
Trabalhou no Santander?
Me conta qual era seu cargo, o horário que você fazia de verdade e há quanto tempo saiu. Com isso eu já sei por onde a conversa vai.
Contar meu casoAs verbas que somem nesse banco
O que costuma faltar no Santander
- Sétima e oitava hora, com reflexo em férias, décimo terceiro e FGTS
- A gratificação especial da saída, para quem tinha dez anos de casa
- Diferenças da gratificação de função
- Participação nos lucros paga a menos
- Comissão e prêmio de venda sem reflexo em nada
- As horas das ações de prospecção fora do expediente
O que o banco vai alegar
O Santander costuma dizer duas coisas: que o seu cargo era de confiança de verdade, e que aquele valor da saída foi só uma bondade dele, sem regra nenhuma. A segunda alegação é a que mais ajuda o seu lado, porque se não existe regra, também não existe critério para pagar a um e negar a outro.
Saber disso de antemão muda o jeito de montar o caso: a prova se organiza para derrubar justamente esse argumento, e não para repetir o óbvio.
O que se costuma pedir
Pedidos típicos nesse tipo de caso
- Sétima e oitava hora como extra em todo o período
- Derrubar o cargo de confiança
- A gratificação especial da rescisão
- Intervalo de almoço reduzido ou trabalhado
- Horas dos cursos obrigatórios feitos em casa
- Dano moral por cobrança abusiva de meta
- Acúmulo de função
Se na sua agência existia meta de hora extra, se o terminal bloqueava no fim do horário e alguém liberava para você continuar depois de bater o ponto, ou se você fazia curso obrigatório em casa e prospecção em universidade de manhã cedo e à noite, guarde tudo que lembrar. Esse tipo de detalhe costuma valer mais que documento.
Uma coisa que quase ninguém pede
Pergunta simples: você chegou a tirar trinta dias de férias seguidos alguma vez? Se a resposta for não, e o motivo era sempre o mesmo — não podia parar por causa da meta, era melhor vender parte, era melhor dividir em pedaços — então tem dinheiro parado aí.
Férias existem para descansar de verdade. Quando o banco empurra o parcelamento ou a venda para o funcionário não sair do ritmo, ele descumpre a regra, e a consequência é pagar essas férias em dobro.
O melhor dessa história é a prova: ela já está com você. É a ficha de anotações da sua carteira de trabalho, que mostra ano por ano como as férias foram tiradas. Num contrato longo, esse pedido sozinho costuma valer mais que muita gente imagina.
Sobre o prazo: dois anos depois de sair do banco para entrar com a ação, cobrindo os cinco anos anteriores. Cada mês dentro do prazo são duas horas extras por dia que entram na conta.
